O cenário da cibersegurança no Brasil acendeu um sinal de alerta ainda mais preocupante em junho de 2026. Segundo o relatório mensal de inteligência de ameaças da Check Point Research (CPR), o país ultrapassou a preocupante marca de 4.001 ataques cibernéticos semanais por empresa.

Esse volume representa um crescimento expressivo de 44% em comparação ao mesmo período de 2025. Esses dados revelam que o Brasil continua sendo um dos principais alvos dos criminosos digitais no mundo, ficando bem acima da média global de ciberataques.


O Brasil em Comparação com o Mundo

Enquanto o Brasil sofre com a pressão constante dos cibercriminosos, a média global de ataques também registrou alta, mas em patamares menores:

  • Média no Brasil: 4.001 ataques semanais por organização.
  • Média Global: 2.270 ataques semanais por organização (alta de 10% em relação a maio e de 17% na comparação anual).

O que isso significa? Na prática, uma empresa brasileira enfrenta quase o dobro da média global de tentativas de invasão, roubo de dados ou interrupção de sistemas a cada semana.


Quais Setores Estão na Mira dos Hackers?

Diferente de meses anteriores que apresentaram picos isolados, o crescimento de junho de 2026 ocorreu de forma ampla e espalhada por diferentes mercados. No entanto, alguns setores específicos continuam concentrando a maior parte das tentativas de invasão.

No Brasil

  1. Governo: Permaneceu como o setor mais visado do país. Sistemas públicos concentram dados confidenciais de milhões de cidadãos e serviços essenciais, tornando-os alvos de alto impacto.
  2. Bens e Serviços de Consumo: Empresas que lidam diretamente com o comércio e dados de clientes finais vêm logo em seguida.
  3. Energia e Serviços Públicos (Utilities): Setores críticos de infraestrutura que, se paralisados, podem causar grandes transtornos à população.

No Mundo

Globalmente, o setor de Educação se consolidou como o mais atacado, registrando uma média impressionante de 4.816 ataques semanais por organização (alta de 16% em relação a 2025).

Por que a Educação é tão visada? Escolas e universidades costumam ter redes muito abertas para facilitar o acesso de alunos, alta rotatividade de novos celulares e computadores conectados diariamente.


O Risco Invisível da Inteligência Artificial Generativa

Um dos pontos mais importantes do relatório da Check Point Research envolve as ferramentas de IA Generativa (como robôs de chat e geradores de texto e imagens).

Ao contrário do que muitos pensam, o maior perigo atual não é um “supervírus” de IA, mas sim o comportamento dos próprios funcionários ao utilizarem essas ferramentas no trabalho.

  • A Taxa de Exposição: 1 em cada 26 prompts (comandos de texto) enviados por funcionários a ferramentas de IA apresentou alto risco de vazamento de informações confidenciais. Isso equivale a uma taxa de 3,9% no mundo.
  • O Alcance do Problema: Esse comportamento de risco foi identificado em 85% das organizações que utilizam IA regularmente no dia a dia.
  • América Latina no Topo: A nossa região apresentou a maior taxa de exposição relacionada à IA generativa do planeta, com 5,2% dos prompts classificados como de alto risco.

Quais dados as pessoas estão enviando para a IA sem perceber?

Muitos usuários inserem dados sensíveis corporativos em plataformas públicas para resumir textos ou gerar relatórios rápidos. Entre as informações expostas estão:

  • Dados Pessoais (presentes em 80% das organizações afetadas);
  • Informações de Redes e Infraestrutura (62%);
  • Documentos Legais e Regulatórios (61%);
  • Dados Financeiros (60%);
  • Registros de Funcionários (57%).

O setor de Saúde lidera essa exposição perigosa com 5,7% dos prompts de risco, o que preocupa devido à natureza confidencial dos dados médicos.


Como as Empresas e Usuários Devem se Proteger?

Para frear essa escalada de ciberataques e vazamentos, especialistas recomendam que as organizações adotem uma postura proativa de prevenção:

  • Criar Políticas Claras para o Uso de IA: Definir regras rígidas sobre quais tipos de dados podem ou não ser inseridos em ferramentas públicas.
  • Treinar os Colaboradores: Realizar campanhas educativas constantes de segurança da informação para ensinar os funcionários a reconhecerem golpes e protegerem seus acessos.
  • Autenticação em Duas Etapas (MFA): Garantir que todas as contas e acessos exijam uma segunda camada de validação (como um código enviado ao celular).
  • Manter Sistemas Sempre Atualizados: Corrigir falhas de segurança conhecidas aplicando atualizações regulares em softwares e sistemas operacionais.
  • Backups Frequentes: Guardar cópias de segurança dos dados mais importantes fora da rede principal para se proteger contra sequestros de dados (ransomware).